Mulheres: o desafio de ocupar cargos de liderança deve prevalecer

A luta pela equidade de gênero no Direito já é uma realidade, mas ainda temos um longo caminho a ser percorrido pelo equilíbrio nas regras de ascensão profissional. Todo ano é mesma coisa. O mês de março é o mês da mulher. Mas, e os outros meses?

Parece clichê e até repetitivo, mas é preciso falar e falar. Não podemos cansar. Afinal de contas, diz a lenda que quanto mais se repete uma fala, mais a pessoa grava ou assimila o conteúdo.

Então, vamos lá, de novo e mais uma vez quantas forem necessárias lembrar. As mulheres são maioria na advocacia, nos bancos das faculdades de ciências jurídicas e também no Poder Judiciário. O problema é que ainda não ocupam cargos de liderança pelo tamanho de sua representatividade na sociedade.

Desde 1891, no Supremo Tribunal Federal (STF), apenas três mulheres foram nomeadas ministras ao longo de toda a sua história: Ellen Gracie (em 2000), Cármen Lúcia (em 2006), e Rosa Weber (em 2011).

Atualmente, na maior Corte do país, dos 11 ministros apenas uma mulher: a ministra Carmen Lúcia. Ela, aliás, no início deste mês, durante a abertura da sessão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), fez alusão ao Dia Internacional da Mulher e ao Dia Internacional das Mulheres Juízas, celebrados em 8 de março e em 10 de março, respectivamente. Na ocasião, ela ressaltou como as mulheres são excluídas dos espaços de poder por não participarem de “clubes de charutos”.

“Como nós não participamos dos chamados clubes de charutos, nós temos mais dificuldade de ocupação de um cargo, na hora em que se tem uma promoção. Por conta até desses encontros entre os homens, que têm disponibilidade muito maior para se divertirem”, afirmou a ministra.

Números nos tribunais


Instalado oficialmente em 1989, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) teve, desde então, 105 ministros em sua composição. Desse total, apenas 10 foram mulheres, o que representa cerca de 9,5% das nomeações ao longo da história da Corte.

Desde 1946, no Tribunal Superior do Trabalho (TST), 157 ministros já passaram pela Corte. Desse total, 11 foram mulheres, o que corresponde a aproximadamente 7% das nomeações.

Criado pelo Código Eleitoral de 1932, extinto em 1937 e restabelecido em 1945, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é composto por sete ministros (três oriundos do STF, dois do STJ e dois juristas indicados pelo presidente da República a partir de lista tríplice do Supremo).

Ao longo de mais de nove décadas de funcionamento da Justiça Eleitoral, apenas nove mulheres integraram o TSE como ministras efetivas: Ellen Gracie, Carmen Lúcia, Rosa Weber, Nancy Andrighi, Laurita Vaz, Maria Thereza de Assis Moura, Isabel Gallotti, Luciana Lóssio e Estela Aranha. Assim, considerando que mais de 170 ministros já passaram pela Corte desde 1932, as mulheres representam cerca de 5% da composição histórica.
No Superior Tribunal Militar (STM), a presença feminina é ainda mais recente e muito mais reduzida. Criado em 1808, o tribunal completa 218 anos em 2026 e só passou a contar com uma mulher em sua composição em 2007, quando Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha foi indicada para a Corte. E, em março de 2025, ela tomou posse como primeira mulher presidente do STM em toda a história do tribunal.

Advocacia

Na advocacia, a profissão é majoritariamente feminina. No entanto, apenas 30% são sócias de grandes escritórios. Apenas 20% ocupam posições de liderança executiva nas bancas, de acordo com dados do estudo “Legal Diversity & Inclusion Survey”. 

Segundo a pesquisa do ranking da Análise Advocacia Mulher de 2026, divulgada no dia 5 de março, houve um aumento no protagonismo feminino nos grandes escritórios brasileiros. Desde 2021, a quantidade de mulheres em cargos de liderança e sócia nas grandes bancas cresceu 33%.

Nesta edição de 2026, foram identificadas 1.490 advogadas. Um dado que chama a atenção é o do número de escritórios que elas representam. De acordo com a publisher Silvana Quaglio, enquanto no anuário Análise Advocacia (que reúne advogados de ambos os gêneros) foram identificados 1.096 escritórios, na edição da mulher as profissionais ranqueadas representam 675 escritórios.

“Entre esses, identificamos 161 escritórios que não tiveram nenhum profissional mais admirado na edição do Análise Advocacia, tampouco a banca foi relacionada entre as mais admiradas da edição. Isso significa que as mulheres protagonistas de Análise Advocacia Mulher emprestam protagonismo também para bancas, várias das quais lideradas pela própria advogada”, ressalta.

Para a publisher, ese é mais um achado que a leitura dos dados da pesquisa Análise Advocacia sob a ótica da profissional feminina nos permite. Muitas vezes, para se tornar referência na advocacia empresarial, a mulher precisa liderar seu próprio escritório.

E você sabia que nas grandes e médias bancas de advocacia o total de sócias com especialização acadêmica é 5% superior aos sócios? Na prática, as advogadas estudam mais e trabalham mais, mas não ocupam cargos de liderança. Em muitos casos, os processos de promoção não são tão transparentes.

Quem conhece o mundo do Direito sabe o quanto é difícil ver o sobrenome de uma mulher no nome da banca jurídica. E como mudar essa realidade? Muitas vezes, a saída é ter o próprio escritório, como já aponta a Análise Advocacia Mulher! 

Por isso, neste mês de março e em todos do ano, eu sempre digo: não tenha medo!

Empreenda! Não desista.

Parece clichê, mas juntas somos muito mais fortes!

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