Marketing Jurídico no Brasil e em Portugal: estratégias eficazes para os advogados

Mais do que necessário, o marketing jurídico já é uma realidade no mercado brasileiro e português. Sem ele, os advogados e os escritórios de advocacia ficarão cada vez mais arcaicos e defasados, se já não estiverem. Não há como pensar no futuro da advocacia no Brasil e em Portugal sem o marketing jurídico aliado ao investimento em tecnologia.

Em ambos países, é preciso inovar e mudar o mindset, ou seja, a mentalidade dos profissionais do Direito e como é feita a comunicação do mundo jurídico com a sociedade. Até o Poder Judiciário brasileiro e português já estão se relacionando de forma diferente com a comunidade jurídica e a sociedade. E por que muitos advogados ainda resistem a aprender e investir em marketing jurídico?

Isso acontece porque, para a maioria dos advogados, marketing jurídico é publicidade. Engana-se quem pensa assim. Não se trata só de prospecção de clientes, mas sim de enxergar os escritórios de advocacia como “uma empresa com metas e desafios a serem cumpridos”.

Marketing é pura estratégia e envolve desde gestão, finanças, qualificação de seus profissionais, utilização de métricas de produtividade, um planejamento anual com metas gerais e específicas de atuação, entre outros. Mas, como investir nessa área sendo que o advogado não aprende nada sobre o tema durante a graduação? Como fazer marketing, atender clientes, redigir processos, fazer audiência e reuniões tudo ao mesmo tempo?

Cenário jurídico brasileiro e português

Não é possível falar em marketing jurídico sem destacar a sua regulamentação, ou seja, o que é ou não permitido fazer. É preciso ressaltar as diferenças entre o marketing jurídico no Brasil e em Portugal.

Os dois países possuem regulamentações até que parecidas, que envolvem práticas de mercado e estratégias utilizadas por advogados e escritórios de advocacia para se promoverem dentro dos limites éticos das respectivas jurisdições.

No entanto, os profissionais brasileiros são mais ousados e, por isso, muitas vezes parecem mais criativos. Isso acontece, principalmente, pela relação que o povo brasileiro tem, por exemplo, com as redes sociais. No Brasil, o conteúdo das redes sociais deve ser feito de maneira informativa e educacional, evitando qualquer forma de autopromoção e de captação de clientes.

Os lusitanos não são tão assíduos e dependentes das redes sociais, como os brasileiros. Os advogados portugueses podem utilizar as plataformas para compartilhar insights sobre casos relevantes (mantendo o sigilo), artigos e eventos.

É muito comum ver no LinkedIn grandes escritórios de advocacia do Brasil e de Portugal divulgando conteúdos em blogs, newsletters, e-books, e em sites. Enquanto os brasileiros atuam em quase todas as plataformas digitais (site, LinkedIn, Facebook, Instagram, YouTube, X (antigo Twitter), os portugueses concentram mais a atuação no LinkedIn.

No Brasil, o marketing jurídico é regulado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) por meio de seu estatuto (Lei nº 8.906, de 4 de julho de 1994), que impõe restrições rígidas sobre a publicidade e a promoção de serviços jurídicos. Não é possível, como, o uso de propaganda comparativa, publicação de sentenças e decisões judiciais, sensacionalismo, divulgação de honorários, exaltação por êxito em processos judiciais, captação direta de clientela e até ostentação na vida pessoal e jurídica. É permitido somente informações objetivas de forma a esclarecer como funciona a lei, por exemplo.

Desde 2021, a OAB passou a permitir o uso de anúncios patrocinados (os chamados Google ADS e Meta ADS), com conteúdos informativos e sem promessa de resultados, publicação de sentenças, entre outras formas que possam levar a uma interpretação de que está havendo captação de clientes.

Em Portugal não é muito diferente. A regulação é também feita pela Ordem dos Advogados Portugueses (OAP) via Estatuto da Ordem dos Advogados e Código Deontológico, mas as regras são menos rígidas como no Brasil, ou seja, mais permissivas. A promoção excessiva, o uso de bordões publicitários ou a oferta de serviços em plataformas que desvalorizam a profissão também não são permitidas. Os advogados portugueses podem anunciar seus serviços, no entanto, devem manter postura discreta e evitar comportamentos que possam comprometer a dignidade da atividade trabalhista.

Assim, podemos dizer que a missão do marketing jurídico é concentrada em: fazer-se conhecer, construir uma imagem positiva, diferenciar-se da concorrência, aumentar as demandas judiciais, gerir adequadamente o relacionamento com cliente, ser tecnicamente mais eficaz, marca jurídica forte.

Vale lembrar que em nenhum dos dois países as regras são tão liberais como nos Estados Unidos, que é possível anunciar em TVs, jornais e até em outdoors, onde praticamente não há regulação.

Com a concorrência cada vez mais acirrada, o tema de marketing jurídico está longe de se esgotar. Atualmente, existe uma série de oportunidades para os advogados fidelizarem e prospectarem clientes, mesmo com muita gente tentando te convencer do contrário.

Lembre-se: quem não é visto não é lembrado! Mude seu conceito: invista na sua marca, no seu conteúdo e no seu atendimento de forma ética e legal. Torne-se referência no mercado! Agregue valor à sua advocacia.

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